
É uma história que parece longa, mas não é. Ela vai tornando-se interessante e atraente e você irá até o fim. Realmente, o tempo não espera ninguém e, por mais que saibamos disso, somos viciados em desperdiçá-lo. Leiam e verão como é triste e comovente. É um artigo antigo que eu também tinha guardado. Se guardei foi por que gostei e acredito que vocês também gostarão.
***Naquela manhã ele sentiu vontade de dormir mais um pouco. Estava cansado por que na noite anterior fora deitar muito tarde. Também não havia dormido bem e tinha sido um sonho agitado. Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama e se levantou, pensando na montanha de coisas que precisava fazer na empresa.
***Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente. Não prestou atenção no rosto cansado nem nas olheiras escuras, resultado das noites mal dormidas. Nem sequer percebeu um aglomerado de pelos teimosos que escaparam da lâmina de barbear. “A vida é uma seqüência de dias vazios que precisamos preencher”, pensou enquanto jogava a roupa por cima do corpo.
***Engoliu o café e saiu resmungando baixinho um “bom dia”, sem convicção. Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida. Não notou que os olhos dela ainda guardavam a ternura de mulher apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento.
***Não entendia porque ela se queixava tanto da ausência dele e vivia reivindicando mais tempo para ficarem juntos. Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava? Claro que não teve tempo pra esquentar o carro nem sorrir quando o cachorro alegre abanou o rabo.
***Engoliu o café e saiu resmungando baixinho um “bom dia”, sem convicção. Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida. Não notou que os olhos dela ainda guardavam a ternura de mulher apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento.
***Não entendia porque ela se queixava tanto da ausência dele e vivia reivindicando mais tempo para ficarem juntos. Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava? Claro que não teve tempo pra esquentar o carro nem sorrir quando o cachorro alegre abanou o rabo.
***Deu a partida e acelerou. Ligou o rádio que tocava uma canção antiga do Roberto Carlos, “detalhes tão pequenos de nós dois . . .”. Pensou que não tinha mais tempo de cumprir detalhes tão pequenos da vida. Anos atrás, gostava de assistir aos programas de Roberto Carlos nas tardes de domingo. Mas isso fazia parte de outra época, quando podia se divertir mais.
***Pegou o telefone celular e ligou pra sua filha. Sorriu quando soube que o netinho tinha dado os primeiros passos. Ficou serio quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar. Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de sair da empresa. Agradeceu ao convite, mas respondeu que seria impossível. Quem sabe no próximo final de semana? Ela insistiu disse que sentia muita saudade e que gostaria de poder contar com ele na hora do almoço. Mas ele foi irredutível: realmente, era impossível.
***Pegou o telefone celular e ligou pra sua filha. Sorriu quando soube que o netinho tinha dado os primeiros passos. Ficou serio quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar. Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de sair da empresa. Agradeceu ao convite, mas respondeu que seria impossível. Quem sabe no próximo final de semana? Ela insistiu disse que sentia muita saudade e que gostaria de poder contar com ele na hora do almoço. Mas ele foi irredutível: realmente, era impossível.
***Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava totalmente lotada e era muito importante começar logo a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que essas pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.
***No que seria sua hora de almoço pediu para a secretária trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte. Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de lanche estava mastigando. Enquanto engolia relacionava os telefones que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do medico advertindo-o alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up. Mas ele logo conclui que era um mal estar passageiro, que seria resolvido com um café forte, sem açúcar.
***No que seria sua hora de almoço pediu para a secretária trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte. Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de lanche estava mastigando. Enquanto engolia relacionava os telefones que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do medico advertindo-o alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up. Mas ele logo conclui que era um mal estar passageiro, que seria resolvido com um café forte, sem açúcar.
***Terminado o “almoço”, escovou os dentes e voltou à sua mesa. “A vida continua”, pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir. Nem tudo saia como ele queria. Começou a gritar com o gerente exigindo que este cumprisse o prometido. Afinal ele estava sendo pressionado pela diretoria. Tinha que mostrar resultados. Será que o gerente não conseguia entender isso?
***Saiu pra reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador. Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus. Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância, encravada no miolo da terra e não no subsolo do prédio.
***Entrou no carro, deu a partida e quando ia engatar a primeira marcha, sentiu de novo o mal estar. Agora havia uma dor forte no peito. O ar começou a faltar ... a dor foi aumentando ... o carro desapareceu ... os outros carros também ... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante dos seus olhos, ao mesmo tempo em que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem.
***Era como se o videocassete estivesse rodando em câmara lenta. Quadro a quadro, ele via a esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas que mais gostava.
***Entrou no carro, deu a partida e quando ia engatar a primeira marcha, sentiu de novo o mal estar. Agora havia uma dor forte no peito. O ar começou a faltar ... a dor foi aumentando ... o carro desapareceu ... os outros carros também ... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante dos seus olhos, ao mesmo tempo em que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem.
***Era como se o videocassete estivesse rodando em câmara lenta. Quadro a quadro, ele via a esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas que mais gostava.
***Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto ? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã ? Por que não foi pescar com os amigos no ultimo feriado ?
***A dor no peito persistia, mas agora outra dor começou a perturbá-lo: a do arrependimento. Ele não conseguia distinguir qual a mais forte, a da coronária entupida ou a de sua alma rasgando. Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração e de seus olhos escorrerem lágrimas silenciosas.
***Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar pra casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto ... queria ... queria ... mas não deu tempo ...
***Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar pra casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto ... queria ... queria ... mas não deu tempo ...
O tempo não espera por ninguém.
Desconheço o autor
Valorize cada momento de sua vida. Você irá apreciá-los ainda mais se puder dividi-los com alguém especial. - Eu gosto deste texto, me emociona e, mesmo gostando de lê-lo, fico assustado ao terminá-lo, justamente por que ele retrata uma realidade. - C&C - E&P - ccursini@itelefonica.com.br
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